RIOS QUE PASSAM – o JEQUITAI

Transito entre o Oeste e o Norte de Minas Gerais. Neste trajeto há Rios, Riachos, Córregos, Veredas. A maioria cortada por estradas e barramentos, formando oásis nesta região que vai se desertificando.

No meu destino o Rio Jequitaí, filho da Serra do Cabral.

O Jequitaí, suas nascentes, córregos, riachos e Veredas fazem parte da Família do Rio São Francisco.

Mesmo passando lijeiro por cima da ponte que o atravessa, não se pode olhar um Rio sem pensar na riqueza. A vegetação local é composta de veredas, matas e cerrado segundo descrição do IEF.

Vivo procurando as Matas.

A visão da Serra do Cabral, onde nasce o Rio Jequitaí, a partir da  BR 365  em 5 de novembro de  2014, é assim:

Essas imagens me fazem lembrar de ações policiais, em atos de repressão do direito de manifestação, que comprimem as pessoas, restringindo-lhes o uso do espaço, assim como ocorre no Bioma Cerrado, de forma a garantir a ação repressora, consumista e expropriativa do capital.

A monocultura do eucalipto e pinus vai ocupando silenciosamente as encostas e os platôs.  Com ela vão se embora as nossas águas.  Um silêncio, por vezes, interrompido pelo ranger de máquina.

É possível também avistar o fogo.

 … as Veredas incendiadas.

Rubem Alves diz que as Florestas o fazia “pensar em milênios, sombras misteriosas, regatos de águas cristalinas que se escondem em meio à vegetação, árvores belas, sábias,amigas, insetos e milhares de outras formas de vida que ali têm o seu mundo. Há o vento, o barulho das folhas, o terror da noite, o grito dos bichos, o medo, o perigo. Mas a economia não conhece florestas, sua beleza, seu fascínio e terror. Ela só sabe lidar com árvores abatidas, mortas, transformadas em madeira, madeira que significa dinheiro.

O Rio Jequitaí, visto do alto da ponte no dia 11 de outubro de 2014,  lida com árvores abatidas. Suas águas, quase transparentes, é sinal que seu leito, suas margens, nascentes e contribuintes estão desprotegidos, tamanha é a devastação.

A água barrenta depois da chuva não é um bom indicador. …

… com ela, vem a terra solta das encostas, dos morros, das margens, nos mostrando que já está passando do tempo de a gente acordar para a vida.

Rubem Alves nos indaga no seu Livro “A Gestação do Futuro” se “saberemos ler os sinais dos tempos? Visões do futuro? Alternativas?

Quando penso e temo a extinção do Jequitai, assim com de outros tantos Rios Brasileiros, é porque fico a imaginar como é viver a desertificação, as temperaturas causticantes, solos sem húmus, terras sem plantas, animais raros, uma solidão imensa, acompanhada do sentimento de derrota, que a vida vai nos mostrando.

A Serra do Cabral, as água barrentas do Jequitaí, as altas temperaturas, a escassez d´água não  seriam sinais, que precismos ler, compreender e agir?

Aqui Onde Eu Moro por Terezinha Souto

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Texto, fotos e citações por Terezinha Souto

 

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Aqui Onde Eu Moro

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