Cores do Outono Aqui Onde Eu Moro

Segundo Rubem Alves,“Claude Monet era capaz de passar o dia todo no campo, da manhã até o cair da noite, pintando seguidas telas do mesmo monte de feno”. E ao ser indagado sobre suas razões, Monet dizia que “para as vacas, é certo que o feno é o mesmo, porque elas desconhecem o gosto da luz. Mas para mim, que sou pintor, a luz é algo mágico, que vai transformando as coisas pelo poder de suas ondulações. Um monte de feno sob a luz da manhã não é o mesmo sob a luz do crepúsculo”.

 Fico a imaginar Monet pintando sob a luz do Outono.

Não sou expert como o Pintor Francês, mesmo assim atrevo a dizer, que a fotografia feita com a luz dourada do outono tem outra linguagem. A linguagem da Vida. A linguagem da beleza, assim como o próprio Outono.

Talvez isto seja coisa de minha cabeça, que sonha o sonho de olhar a Natureza com os olhos interiores, reconhecendo-se como parte desse inteiro que nos fala da vida silenciosamente.

Há mais poesia no Outono.

Folhas caem, folhas nascem. É no Outono que ocorrem as Quatro Estações.

A Primavera do Jaú é no Outono.

Quero aprender com José Saramago que diz, “se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” Reparei que o Jaú, a Aroeira e tantas outras espécies desmentem a Professora da Infância que dizia ser a Primavera a Estação das Flores.

É no Outono que as cores se mostram intensamente. As plantas sem raízes profundas perecem para ressuscitar mais adiante.

É no silêncio do Outono que as feridas se curam, cicatrizam.

Assim como a Vida pulsa rebrota e segue.

As Árvores se cobrem de dourada para depois se despir, como se hibernassem para resguardar a vida.

As cores seguem o ritmo do tempo, do vento, do sol e da escassez da Água do Outono. O Outono pintado de todas as cores.

Ao sabor do vento. Ao sabor do tempo!

Gostaria de ter dito muitas coisas que Rubem Alves escreve. Ele me faz pensar.

(…) o outono me chama de volta. Devolve-me à minha verdade. Sinto então a dor bonita da nostalgia, pedaço de mim de que não posso me esquecer … O céu, azul profundo, as árvores e a grama de um outro verde, misturados com o dourado dos rais de sol inclinados. Tudo fica mais pungente ao cair da tarde, pelo frio, pelo crepúsculo, o que revela o parentesco entre o outono e o entardecer. O outono é o ano que entardece.”

 Aqui Onde Eu Moro por Terezinha Souto  no Outono de 2014.

 

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Aqui Onde Eu Moro

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