VERMELHO.

                                                                                      Aqui Onde Eu Moro por Terezinha Souto

         Comprei um pimentão num supermercado da Cidade.  Eu pretendia preparar um alimento cuja receita continha muitos ingredientes, dentre eles, o pimentão. Tinha que ser vermelho. E, como a experiência ocorreria dias depois, guardei-o na geladeira, pensando prolongar sua vida útil.

          Dias e dias na geladeira e lá estava o Pimentão lindo, vermelho e intacto dentro da bandeja coberta por um plástico, como se Eu tivesse chegado do supermercado naquele instante.

          Nessa época Eu e o Carlos éramos namorados. Certo dia, Ele chamou minha atenção para uma questão que Eu ainda não tinha percebido: o Pimentão Vermelho não transpirava.

          Finalmente, algum tempo depois preparamos o alimento, que ficou uma delícia. Mas, a beleza do Pimentão Vermelho, que não transpirava, jamais saiu da minha cabeça.

         Desde então, passei a prestar atenção no comportamento de frutas e verduras compradas no supermercado. Deduzi que, antes mesmo de Elas serem colhidas e postas à venda, já estavam mortas na sua existência essencial.

        Só quem já morreu é que pára de respirar. Exemplo disso são esses tomates que comprei no mês de abril de 2009 na feira livre patrocinada pela Prefeitura Municipal de Capitão Enéas. A fotografia foi feita um dia depois de ter ido à feira. 

O DNA da planta parece ser alterado por insumos agrícolas largamente produzidos pela indústria química. Uma vez transfigurado, a planta parece ser destituída de suas características como ser vivo, sobretudo como alimento potencialmente capaz de nutrir um corpo. Por isso, os tomates e os pimentões vermelhos não transpiram.

Há muito tempo não consigo comer tomates comprados em supermercados. Quando tenho oportunidade vou à feira na cidade e ando, ando, ando, prestando atenção nos alimentos posto à venda até encontrar alguém que diz que aquele tomatinho foi colhido no seu quintal ou de alguém, que ainda insiste produzir organicamente. Uma raridade, infelizmente.

Estes são tomates que colhi na hortinha de minha Mãe e meu irmão Délio Aqui Onde Eu Moro. Deliciosos. Basta colher, lavar e comer. Há um banco de sementes no solo. Molhou ou choveu, lá estão eles.

Quando colocados dentro do saquinho plástico eles transpiram. São orgânicos. Estão vivos.

      Assim, e, em tempos de mudanças climáticas drásticas é preciso refletir sobre como plantamos, o que colhemos, o que compramos e o que comemos.

     É preciso refletir também sobre a necessidade de se voltar a praticar a secular agricultura familiar, de modo a preservar a Terra e os micro-organismos responsáveis pelo húmus e sua fertilidade, por uma questão de sobrevivência.

          Além disso, é preciso interessar-se sobre o que pensam e como agem os administradores do meu e do seu Município em relação à agricultura e aos cuidados com a Terra.          

            TERRA: patrimônio essencial à Vida: cuidar dela é um dever de todos.

                                                                                                                                 Setembro 2013.

 

 

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2 respostas para VERMELHO.

  1. Julio Navas disse:

    yo nunca tuve frigorifico…y no compro verduras en plástico!!

  2. Júlio,
    o nosso solo está sendo envenenado com agrotóxicos e as pessoas não entendem isso.

Aqui Onde Eu Moro

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