O Ninhal e a fotografia.

 

O elo.

Encontrei Marliete no armazém de sua mãe. Ela se dizia ansiosa para me ver. Ambas, mãe e filha, transpareciam encantamento por terem visto um ninhal de Garças e queriam falar da emoção sentida e sugerir que o mesmo fosse fotografado.

Fico feliz, porque sempre que alguém vê algo diferente, diz se lembrar de mim. Isso me permite acreditar que a fotografia, assim como a defesa em prol da recuperação e preservação dos recursos hídricos, são minhas principais referências Aqui Onde Eu Moro.

 Feliz e curiosa ao mesmo tempo, porque Eu ainda não conhecia um ninhal. Passaram-se meses e não consegui encontrar o ninhal. Convidei Marliete para mostrá-lo, mas não dei certo no dia marcado.

Sempre reduzia a marcha no percurso onde imaginava encontrar o Ninhal, e nada. Eu já havia deixado a ideia de procurar pelas garças na memória, até que certo dia avistei um bando. Decidi observá-lo até localizar o ninho. Naquele dia Eu estava sem a Câmera Fotográfica.

Era o dia 13 de dezembro de 2012. Eu estava decidida a entrar furtivamente na propriedade alheia para ver de pertinho aquele espetáculo ambiental – UM NINHO COLETIVO – De longe uma pessoa observava minha tentativa de abrir a cancela. A alternativa foi pedir ajuda ao observador.

No lugar há uma Lagoa, um aterro e o predomínio de uma espécie arbórea espinhosa abrigando dezenas de ninhos. A água e a vegetação são fatores que determinam a ocorrência de temperatura amena e a agradável sensação de frescor. As árvores estão ensebadas com o cocô das Moradoras, que parece não largar os ninhos nem mesmo para fazer suas necessidades biológicas.

Aguinaldo Lima, gerente da Fazenda onde o ninhal está localizado, me contou que convive com as ilustres moradoras cerca de seis anos.

“Elas vêm em novembro e vão embora ao final de fevereiro. Chocam, criam e treinam seus filhos para o vôo. Depois pegam suas famílias e vão embora. Para onde? Só Deus sabe!

Aguinaldo, uma pessoa agradável que transparece alegria de viver, trata as Garças como “as meninas“. Ele diz que as “meninas são preguiçosas”. E num tom de brincadeira, diz: -“Hum me deixa falar baixinho para Elas não escutar eu falar mal delas”. Ele explica:

“Elas não reformam os ninhos. Botam e chocam nos ninhos velhos. Os ovos caem e os filhotes que nascem caem no chão, morrem. Mas salvam muitos. Elas são minhas amigas. É um divertimento. Quando vão embora é uma falta terrível.”

                   

Aguinaldo foi  encantado pelas vizinhas da temporada primavera-verão. Segundo Ele, não havia na fazenda  a espécie arbórea sobre a qual as Garças constroem seus ninhos.

Aguinaldo também fala da tristeza que sentiu quando a Lagoa secou e da preocupação com o fogo que queimou parte das árvores. Naquele ano Elas não vieram por aqui.

Parte da vegetação é um esqueleto seco sem folhas onde também há dezenas de ninhos.

Aguinaldo diz que o fogo foi “acudido a tempo” e parte da vegetação foi preservada.

Aguinaldo também fala da tristeza que sentiu quando a Lagoa secou.

“Naquele ano Elas não vieram por aqui. Achei que Elas não vinham mais. Estas árvores que estão aí apareceram com as Garças. Primeiro vieram algumas, acho que foi para sondar e plantar no terreno. Depois mais, e mais e construíram ninhos. Os machos saem cedinho e só voltam à noite trazendo comida para as Meninas que ficam chocando os ovos e tomando conta dos ninhos. É uma coisa fantástica. Fico bobo de ver”, diz Aguinaldo emocionado e com brilho nos olhos.

Aproximei-me do ninhal para conhecer as meninas de perto. Foi uma grande emoção.

Mas, a aproximação foi recebida como ameaça. As Garças saem dos ninhos, sobrevoam a lagoa, e voltam para as árvores, fazendo intenso barulho com o bater coletivo de asas.  

 

Elas grasnam num dialeto próprio de garças, provavelmente repudiando a perturbação que causei com essa mania de me encantar com a natureza e tudo o que Ela proporciona à Vida.

As penas da cabeça, do estômago e das costas têm a cor de caramelo. A Garça infla as penas da cabeça e do papo ao ser surpreendida, recolhendo-as quando em vôo.

Enfim, lá vêm eles aos bandos, os Garços, voltando para casa enquanto o Sol vai se encontrando com a noite. Um espetáculo da Mãe Natureza!

Um,

Dois,

Três,

Quatro… são muitos os bandos. Uns chegam e pousam numa área aberta próxima ao ninhal e ficam ali como se estivessem realizando uma análise da conjuntura antes de “acabar de chegar em casa”.

Outros pousam diretamente nas árvores do ninhal.

Outro grupo pousa na Lagoa antes de finalmente descansar do longo dia de trabalho.

Este texto e fotografias são de autoria de Terezinha Souto por Aqui Onde Eu Moro. Seja legal e gentil, se for reproduzir por qualquer meio, cite a Autoria e a fonte. Respeite os direitos autorais.

Incio do Verão de 2012 AQUI ONDE EU MORO.

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2 respostas para O Ninhal e a fotografia.

  1. Um espetáculo!! Parabéns pela matéria!! Muito lindo!! Nosso Deus é Maravilhoso,criou essa natureza linda e perfeita!!

  2. Sérgio,
    Tem inteira razão: “Nosso Deus é Maravilhoso, criou essa natureza linda e perfeita”.
    Sinto-me realizada por conseguir fazer um trabalho assim, que me permite sentir grandes emoções e transmiti-la aos Caros visitantes de Aqui Onde Eu Moro.
    Então, fiquei encantada com o ninhal e também com o Sr. Aguinaldo e sua relação com a natureza. Pena que a nossa Comunidade ainda não descobriu o valor destas relações e sua importância para a vida.
    Enfim, muitissimo obrigada pela visita. Aproveito a oportunidade de seu comentário para agradecer Marliete pela rica sugestão desta postagem.
    Abraços e um fim-de-ano prazeiroso para Você e sua família. E que nos próximos quatro anos tenhamos a traquilidade de ter um honesno municipal honesto, humilde e trabalhador, principalmente em favor dos mais necessitados. Terezinha Souto

Aqui Onde Eu Moro

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