A FESTA DO BOI – 2012

               Êh boi …           

            Aqui Onde Eu Moro adultos se deixam ser crianças e brincam de domadores de boi brabo do mato, que à primeira ameaça de ser espetado, tenta chifrar seu domador e auxiliares.

             Mas é tudo coisa de homens-meninos, que se juntam  cultivar a própria imaginação e a imaginação de outras crianças, que quando adultas lembrarão do Boi, que de brabo não tinha nada, que só gostava de dar pinotes, cantar,  dançar e ver as  pessoas se sentindo criança num dia.

            A história que Eu conheço é assim:

           Bem cedinho os Homens-criança vão para o mato que ainda resta e colhem varas, com as quais montam o esqueleto do boi.

            E com os apetrechos já comprados nos armarinhos em algum lugar na Cidade, Eles passam o dia inteirinho costurando, colando e remedando o Boi.

            Parecem brincar de vaqueiros.

            Entre algumas bocadas no tira-gosto que lhes chegam numa marmita, um gole e outro de cachaça ou de rum e baforadas de cigarro, os Homens-meninos montam o boi, que tem cifres e rabo de verdade.  Tem pele de tecido mole, brilhante e rajado para enfeitar o nosso “boi maiado”.

            Os olhos são de papel. Os cifres são enfeitados com fitas coloridas que parecem brincar com Vento do outono que já chegou.

            Aos pouquinhos o Boi ganha corpo, cabeça, olhos, alma … vai ganhando a vida para de noite dançar e cantar alimentando a fantasia de outros homens, mulheres e crianças de que existe o boi, que não é só da cara preta, e nem faz careta.

            Um outro Homem-criança  veste a sua veste de boi e dança e pula para  amedrontar de mentirinha, as pessoas que querem ver de perto e  mais uma vez o meu Boi pular!

            Êh Boi, vem cá meu boi, êh boi ….

            Minha Prima Néia parece sentir as emoções de quando Ela era criança ao ver o Boi e seus vaqueiros pular e cantar. São homens-meninos enfeitados ao seu gosto aqui chamados “caxixas”, e sem violência nos seus ferrões fazem gestos de domar a brabeza do Boi, que já viveu solto no mato, já cortado para a monocultura do capim.

            Neste sábado de Aleluia mais uma vez veio o Boi a alegrar este momento  sublime dos adultos que se deixam ser crianças outra vez. Alegrar crianças, que crescerão esperando o sábado de aleluia para viver mais uma fantasia e cantar…. vem cá meu boi …!.

           Terezinha Souto. A Festa do Boi de Caçarema, 2012. Todos direitos reservados. Se for copiar, seja respeitoso,  cite a fonte.

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