Educação, Alimentação e Direitos Humanos.

    Muitos pensam que o trabalho é um favor do patrão. Outros pensam que a educação e a alimentação com qualidade e quantidade são privilégios.

    Creio que esses  modos de pensar existem porque as leis que asseguram os direitos das pessoas não são cumpridas. Diante disso passamos a viver de modo que os “mais espertos” subjulgam os mais simples, de modo que a impunidade passa a ser adotada como regra. Esse modo de relacionamento é muito chato, porque alguns pensam que têm mais direitos que os outros. Logo, estamos falando de injustiça, não é mesmo?

    Por certo, se o Estatuto da Criança e do Adolescente fosse cumprido pela Sociedade, que é representada pelo Governo, pelo Estado e pelo Povo, os absurdos que ocorrem em Caçarema não seriam aceitos pela Comunidade.

    Essa triste realidade parece estar presente nas práticas dos governantes locais conforme denunciado na postagem “alimentação escolar, isso é coisa séria” no Blog “CAPITÃO ENÉAS”.

    Segundo o Blog citado, a Prefeitura de Capitão Enéas mudou drasticamente a qualidade da merenda escolar, depois de ter sido premiada no ano de 2008.  As fotografias e os números apresentados no Blog mostram claramente o que vem ocorrendo com a alimentação infantil nas escolas municipais.

http://capitao-eneas.blogspot.com/2011/08/alimentacao-escolar-isso-e-coisa-seria.html#comments

    A denunciada falta de compromisso da Prefeitura de Capitão Enéas com a nutrição dos estudantes me fez lembrar o triste e lamentável episódio ocorrido Aqui Onde Eu Moro – Caçarema. Foi assim:

    No final do ano passado fui convidada por alguns Pais para fotografar seus filhos  durante a solenidade de formatura do ensino infantil. Após o encerramento da Cerimônia, a Prefeitura de Capitão Enéas serviu para as crianças de 05 a 07 anos de idade e para os seus Pais, um pãozinho com aspecto de “dormido”, com carne moída, frio, seco e mucho. Isso aconteceu depois de as crianças terem ficado horas e horas ouvindo seus paraninfos.

    Estes são os retratos dos pãezinhos servidos para as crianças e suas famílias naquela noite de festas.

   

    No mesmo final do ano de 2010 fui convidada por alguns alunos da Escola Estadual daqui Onde Eu Moro para fotografá-los durante as Solenidades de formatura do ensino médio.  Depois da Cerimônia foi oferecido um jantar para os formandos, pais, paraninfos e convidados.

    Este é o retrato do jantar oferecido.

    Creio que esses dois episódios mostram a desigualdade de tratamento entre um e outro caso. Qualquer pessoa a percebe. E para quem não os presenciou, acredito que a simples comparação das  fotografias dos alimentos oferecidos em cada ocasião podem ser suficientes para demonstrar a desigualdade praticada. Dizem que “uma fotografia vale mais que mil palavras”.

    Não sou professora, mas posso afirmar que do ponto de vista didático-pedagógico, a alimentação é tão importante quanto o respeito. O respeito é um dos ingredientes de formação da personalidade, do caráter e do bem-estar emocional.

    O respeito é a anti-sala da cidadania e dos direitos humanos. Logo, o tratamento respeitoso dado aos formandos do ensino médio de Caçarema deveria ter sido necessariamente estendido aos alunos do ensino infantil, mas não foi isso que aconteceu.

    Esses episódios ilustram muito bem a violação de direitos humanos e a necessidade de mudança de postura no sentido de que deixemos de aceitar a desigualdade como regra e parametro de relacionamentos sejam eles públicos ou privados.

    Creio que esse episódios reforçam a necessidade da Comunidade assumir para si a luta por uma alimentação saudável para as meninas e os meninos daqui onde moramos. Essa é uma condição indispensável para o desenvolvimento humano e o fortalecimento do respeito por outros direitos humanos.

   Além disso, acredito que a luta por alimentos saudáveis e nutritivos é também a luta pela Água,  pois sem Água não é possível germinar sementes e nem crescer as plantas. Sem água com qualidade e em quantidade não há dignidade.

    Obrigada pelo carinho da visita.

    Terezinha Souto

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6 respostas para Educação, Alimentação e Direitos Humanos.

  1. Julio Navas disse:

    cuanta gente sin corazón hay repartida por el mundo…
    en japón, el gobierno “impuso” un régimen alimentario escolar, gratuito y obligatorio, cuya principal composición era carne de delfín. Esa carne tiene niveles muy altos de mercurio, pero el gobierno necesitaba una “excusa” para la masacre continua de delfines en la zona de Taiji. todo por que los pescadores de la zona “piensan” q los mamíferos marinos “comen” demasiado pescado”, reduciendo con ello el número de sus beneficios.
    en camino a un segundo Minamata…….

  2. Júlio,
    isto é apenas o que ficamos sabendo. E o que fica escondido, heim?
    Que triste história essa das crianças japoneses…. de longe e em razão da imprensa, pensamos que vai tudo muito bem no Japão …
    Enfim, são coisas do capitalismo, que deixa as pessoas cegas e desistimuladas de lutar por um mundo melhor.
    Obrigada por sua contribuição, abraços.

  3. anonimo disse:

    Esse caso foi apenas mais um dos acontecimentos
    que como sempre vemos, as pessoas que estão
    inseridas na “elite” são favorecidas. As dificuldades
    são muito grandes, mas nada justifica que os nossos
    alunos do CEMEI recebessem tal tratamento, afinal
    todos sabemos que existem recursos que garantem
    para os alunos uma merenda de qualidade. Mostrar
    a realidade é uma forma de tentar melhorar no futuro,
    pois esses alunos irão ser nos representantes no
    futuro, eles precisam receber tratamento adequado.
    Eles não querem que fiquemos batendo boca, por causa
    de pouca coisa, precisamos ter iniciativa e criatividade
    para ofecermos lazer, alimentação e educação de
    qualidade para eles.
    Vamos deixar o preconceito de lado e vamos
    pensar em um futuro construtivo para as nossas
    crianças.
    Parabéns Terezinha pela iniciativa!
    Mostrar a realidade só nos faz pensar
    como podemos melhorar nossas atitudes.

  4. A Você de Codinome “ANÔNIMO”
    Boa tarde!
    Por vezes, faz-se necessário reconhecer a possibilidade do anonimato, necessário ao funcionamento dos serviços de “disque denúncia”
    Seu comentário é construtivo e respeitoso. Fico feliz que o nosso Blog Aqui Onde Eu Moro possa contribuir no sentido de incentivar as pessoas a pensar formas de alterar a realidade transformando atitudes.
    Muito obrigada por sua presença e comentário. Torço que um dia possa se manifestar livremente. Convido-o (a) a voltar aqui outras vezes. Abs. Terezinha Souto.

  5. ANONIMO disse:

    Vc merece aplausos e mais aplausos Terezinha, por essa brilhante denúncia, estive sim presente no dia dos pãezinhos e fui embora indignada com o descazo feito aos nossos queridos formandos, vale Citar( CRIANÇAS) Mais enojada fiquei ao saber do jantar ( banquete) servido aos políticos que estavam na ocasião da formatura, políticos que vivem apenas atrás de uma boca livre .
    Quanta falta de respeito com as nossas crianças! Eles sim, cordenadora Fabiola mereciam uma festa , um jantar, como o que vc serviu na ocasiaõ para esses que se dizem políticos (rsrsrsrs). P A R A B É N S….. TERESINHA.

  6. Caro(a) Visitante,
    Agradeço sinceramente sua valiosa visita e respectiva manifestação. Aproveito a oportunidade para manifestar minha mais profunda tristeza por saber que as pessoas ainda precisam se proteger no anonimato para não serem perseguidas e desrespeitadas no seu direito de livre manifestação do pensamento.
    Compreendo o fato de Você não se identificar, ao mesmo tempo em que torço que a censura e a perseguição na nossa Comunidade passe a ser coisa do passado.
    Prezado(a) Visitante,
    Vou aproveitar a sua visita para esclarecer que não estou aqui a menosprezar o pãozinho servido naquela noite. Ao contrário, pois com certeza aqueles pãezinhos foram feitos com muito amor por trabalhadores que suaram a camisa para ganhar seu sustento dignamente, da mesma forma que as Servidoras se dedicaram para preparar aquela singela merenda para as crianças e suas famílias naquela noite de muitos bla´, blá, blás.
    Ora, cabe ao Poder Público, no caso da Prefeitura Municipal de Capitão Enéas por meio de seus agentes políticos cumprirem a Lei Orgânica do Município, que diz no seu artigo 5º o seguinte:
    “Art. 5º – O Município assegura, no seu território e nos limites de sua competência, os direitos e garantias fundamentais que as Constituições da República e do Estado conferem aos brasileiros e aos estrangeiros no País.”

    Como visto, ao contrário do que diz a Lei aprovada para ser obedecida aqui no nosso Município, vemos a desigualdade de tratamento, perseguições e ameaças como se ainda vivessemos na época da ditatura.
    Finalmente, agradeço mais uma vez sua valiosa visita, com o nosso Convite para que voltes outras vezes. Obrigada, Terezinha Souto.

Aqui Onde Eu Moro

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