FESTA DA BANDEIRA DE SÃO JOÃO. FÉ. TRADIÇÃO. CULTURA. LAZER.

    …  SÃO JOÃO…. SÃO JOÃO…  SÃO JOÃO….  SÃO JOÃO …. SÃO JOÃO…. SÃO JOÃO

Eles vêm descendo a ladeira trazendo a Bandeira de São João como um troféu precioso.

    Sim, um troféu recebido pelo “roubo” e devolução da Bandeira de São João. É assim que termina, ou é assim como começa a Festa da Bandeira de São João há mais de meio século aqui na Comunidade de Caçarema?

   Emília calcula que a devoção de sua família a SÃO JOÃO tem mais de 70 anos. Ela conta que sua Vó, que também se chamada Emília, alcançou uma “graça” por intervenção de São João. Em troca, Ela se comprometeu com o Santo, festejar o seu dia todos os anos em que vivesse.

  E assim, conta a neta e xará de Dona Emília, que no leito de morte, a Vó pediu à sua Mãe, Jovina, que continuasse festejar Seu Santo de Devoção. 

   Dona Jovina, que também pediu a filha Emília não deixasse morrer a tradição, festejou São João enquanto viveu.

             “Cresci vendo minha Mãe fazendo as bandeiras, as bandeirolas para festejar São João”, diz Emília orgulhoso de seu gesto.

    No dia da Bandeira de São João, o sanfoneiro, o violeiro, o tocador de pandeiro, de triângulo e de tambor ….

… se juntam aos acusados mascarados, e de lá da ladeira ou de lá da parte baixa do Distrito, acompanhados da Comunidade com velas acessas e em cantoria, seguem rumo à casa de Emília, que se prepara desde cedinho para receber a Bandeira.

    

       A curiosidade é geral. Todos querem saber quem são os alegres e festeiros “ladrões”.

               Os acusados se entregam e são gentilmente presos. Eles se defendem dizendo:

                _“Ah! A bandeira tava na rua, à-toa, eu peguei. Agora vim devolver prú dono.”

                _ “ A bandeira estava no sereno e não podia molhar, então Eu roubei .”

                _ “Doeu no meu Coração ver São João no Sereno, então roubei a bandeira.”

                 _”Gosto de roubar bandeira. É minha tradição. Vamos entregá-la mais bonita e ninguém pode reclamar.”

   A Comunidade, de coração bondoso e radiante, em mais este espetáculo, profere sentença de absolvição dando aos acusados, o Alvará de Soltura.

   E agora absolvidos, os ”ladrões” da Bandeira, ao altar de São João, junto com a Comunidade rezam o “Terço” e pedem perdão pelos pecados.  

 

     A penitência continua depois de o “terço” rezado. Adultos, Jovens e Crianças  cantam  ao redor da Fogueira.

 

   Depois empunham a bandeira levantando São João lá para o alto, de onde, alguém, na calada na noite, irá roubá-la, repetindo o mesmo gesto de GILMAR SANTOS, JOÃO BATISTA, VALDECI e GILBERTO, trazer a Bandeira de São João de volta e dizer, que no ano que vem, reforçarão mais uma vez, os Votos de Dona Emília em louvor a São João .

 

 Davi, morador da Comunidade diz que “é uma festa que temos desde quando Eu era criança e não pode acabar. É uma tradição. Por isso não pode acabar. O Povo tem que participar. As festas estão acabando e isso é ruim” 

   Pedro diz que a importância da Festa está no fato de “reunir os amigos e as pessoas queridas”.

    Maria diz: “ acho  a festa bonita. É animada. Gosto de dançar.”

   Douglas diz que gosta da festa porque “se diverte e ajuda os donos da casa  fazer a cadeia para prender os ladrões da bandeira e fazer a cobertura onde acontece o forró”.

    Seu Lainha arremata dizendo:  “é uma festa de devoção. Todo ano Eu venho, são meus amigos”!

                                            Soltam-se os fogos!

                                                       As crianças começam a festa….

… animando os adultos ….

       Na festa de SÃO JOÃO de 2011, GILMAR SANTOS, JOÃO BATISTA, VALDECI, GILBERTO dizem orgulhosos, que trabalharam o ano todo juntando dinheiro para custear os biscoitos, as bebidas e as duas girandas de mais de 1500 tiros que iluminaram a Festa da Bandeira de São João do Distrito de Caçarema. 

Agradecimentos.

A Emília, a Seu Antônio, os Festeiros, e aos presentes da Comunidade, pela oportunidade de postar no Aqui Onde Eu Moro, vozes e imagens da Festa da Bandeira de São João de 2011.

Muito Obrigada.         

Terezinha Souto.                              

                                                                                                                             Inverno de 2011.

 

 

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